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Durante reunião da Pastoral Presbiteral na manhã desta terça-feira (10), o arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado – C.Ss.R., divulgou um texto ajudando o clero a refletir sobre a vocação, já que o mês de agosto é o mês vocacional.

Este mês vocacional é para nos lembrarmos do chamado que Deus nos fez e renovar a coragem do seguimento. Deus nos ama. É bom lembrarmos deste amor. Mesmo que você esteja cansado de saber desta verdade – não importa! – quero recordá-lo: Deus o ama. Nunca duvide disso na sua vida de padre, aconteça o que acontecer. Em toda e qualquer circunstância, você é infinitamente amado por Deus.

Leia o texto na íntegra:

Aos padres, seminaristas e diáconos.

Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e nos profetas: Jesus, o filho de José, de Nazaré. Perguntou-lhe Natanael: “De Nazaré pode sair algo de bom? Felipe lhe disse: “Vem e vê”. (Jo 1,45-46)

A história da vocação dos discípulos é um testemunho de fé em Jesus. Neste mês vocacional, cada um deve renovar, ou seja, de algum modo redescobrir a vocação presbiteral, a identidade que brota de pertencer, pelo sacramento da ordem, a Igreja católica, ao presbitério da Arquidiocese de Pouso Alegre.

Se quisermos entrar no verdadeiro processo de sinodalidade na Igreja particular de Pouso Alegre, teremos de caminhar juntos, escutando uns aos outros. A pandemia está gerando um clima de maior silêncio e, em alguns casos, de solidão. Esta situação é favorável a uma oração pelas vocações como verdadeiro espaço de escuta. Escuta, antes de mais, da palavra de Deus que continua chamando cada um para uma vocação específica. No silêncio ecoará mais forte o chamamento que Jesus faz hoje a muitos: “Segue-me!” Não há vocação que não nasça da escuta, de uma escuta profunda, de uma escuta até o fim. A escuta é ainda condição para estar atento e captar os sofrimentos da humanidade e as necessidades da Igreja e da sua missão.

Este mês vocacional é para nos lembrarmos do chamado que Deus nos fez e renovar a coragem do seguimento. Deus nos ama. É bom lembrarmos deste amor. Mesmo que você esteja cansado de saber desta verdade – não importa! – quero recordá-lo: Deus o ama. Nunca duvide disso na sua vida de padre, aconteça o que acontecer. Em toda e qualquer circunstância, você é infinitamente amado por Deus.

Esta certeza torna-se tarefa para todos nós. Tarefa para entender que o Seminário é lugar vital para a nossa vida de diocesaneidade e a vida da Arquidiocese. Tarefa enquanto convite para agradecer os mais de 122 anos de existência do nosso Seminário e pelas centenas de padres que formou. Tarefa para tirar tempo e ir visitar os seminaristas e agradecê-los pelo discernimento que estão fazendo. Tarefa para que ao longo deste mês nos dediquemos ainda mais à oração pelos nossos seminaristas, pedindo que se configurem mais e mais ao coração do Bom Pastor. Tarefa para motivar cada família a desejar com fervor que do seu seio nasçam filhos com o desejo de servir Jesus como padres. Tarefa para motivar os jovens das nossas paróquias para fazer com audácia e sinceridade de fé a escolha radical por Jesus. Para não hesitar em dizer SIM a Jesus. Tarefa para você manter a conversa de um padre feliz com Jesus. Tarefa para envolver o irmão padre, do seu Setor Pastoral, na sua atual caminhada vocacional.

A CNBB oferece para este mês vocacional o tema: “Cristo nos salva e nos envia” e o lema: “Quem escuta a minha palavra possui a vida eterna” (Jo 5,24). A Comissão Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, da CNBB, criou para refletir o mês vocacional uma trilogia para os anos de 2020 – 2021 – 2022, preparando o Ano Vocacional Nacional, em 2023 – a partir do capítulo IV da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Christus Vivit, baseando-se em três verdades. Convido a todos a retomarem este documento, que lhes presenteei com um exemplar, e fazerem uma profunda meditação e reflexão. Aproveitem, partilhe com um irmão padre a realidade dessas três verdades no seu itinerário presbiteral.

Rezemos todos pela santificação do nosso clero, pelos seminaristas e o aumento das vocações sacerdotais e religiosas. A nossa oração dirigida ao Senhor da messe para que mande operários para a sua messe, é uma súplica necessária e confiante. Precisamos pedir para receber esta graça tão importante para a vida da Igreja, uma vez que é grande a carência de vocações consagradas nas dioceses, congregações e institutos.

Rezemos sobretudo com fé e esperança pelo momento da ordenação diaconal dos seminaristas estagiários: Anderson, Felipe Matheus, Júlio e Rafael, que celebraremos na Catedral no próximo dia 28. É o Espírito que constrói a Igreja e assiste a vida e educa esses jovens para darem continuidade à missão de Jesus Cristo. Rezemos com a consciência de que a nossa oração, feita em espírito de comunhão, tem muita força.

Invoquemos a proteção de São João Maria Vianney, o pároco de Ars, que viveu numa França descristianizada e secularizada, colocou a sua pequena comunidade no centro de uma verdadeira reflexão sobre a vida e missão do sacerdote, ele que foi pároco de uma pequena paróquia, quase esquecida da sua diocese.

Convido a todos vocês, queridos padres, a viverem com alegria a vocação sacerdotal ao serviço de Cristo, da Igreja e dos irmãos. Eis o segredo de uma vida em fidelidade e santidade no ministério para produzir frutos de novas vocações sacerdotais.

Invoquemos a materna intercessão de Nossa Senhora Auxiliadora.

A todos concedo a bênção.

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R.
Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre.

Pouso Alegre, 10 de agosto de 2021
Festa de São Lourenço, Diácono Mártir.